BABA ZULA

Stage: Chafariz Map
27 June, 20:00

Tal como os Oojami, Mercan Dede, Kayhan Kalhor, Burhan Öçal, ou mais recentemente Gaye Su Akyol, ?lhan Er?ahin e o Taksim Trio – para não referir, num lado mais pop e até algo apimbalhado, Tarkan -, os BaBa ZuLa são desde há muito um dos nomes mais queridos na renovação –seja do lado das electrónicas, do psicadelismo ou no interior das tradições (Kalhor e Öçal) – da música popular turca.
Namorando desde sempre – o grupo nasceu no ano de 1996 na capital Istambul, mais propriamente no bairro de Oto Sanayi – com um imaginário e uma sonoridade que visita os clichés mais comuns da música turca, as que servem a dança do ventre deste país (karsilama) e a dos dervixes rodopiantes, os BaBa ZuLa são um dos melhores exemplos de fusão entre os sons locais e outras formas musicais: o garage, o proto-punk e o rock psicadélico, electrónicas, reggae e dub. O álbum de estreia, “Tabutta Rovasata”, foi editado em 1996, seguindo-se “3 Oyundan 17 Muzik, “Psyche-belly Dance Music”, “Duble Oryantal” (estes dois produzidos pelo mestre do dub Mad Professor), “Dondurmam Gaymak” (banda-sonora do filme “Dondurmam Gaymak”, de Yüksel Aksu ), “Kökler”, este último uma homenagem a dois dos mais emblemáticos instrumentos tradicionais turcos, o saz e as colheres de madeira (usadas como percussões), “Gecekondu”, “34 Oto Sanayi” e o mais recente “XX”, editado em 2017.
Entre os colaboradores dos BaBa ZuLa contaram-se, ao longo dos anos e para além de Mad Professor, gente do calibre de Sly Dunbar e Robbie Shakespeare (a secção-rítmica maravilha da Jamaica e inventores do drum’n’bass original), Alexander Hacke (dos Einsturzende Neubauten), Brenna MacCrimmon, Dr. Das (dos Asian Dub Foundation), o francês Titi Robin, Tod A. (dos Firewater), o músico de jazz noruegês Bugge Wesseltoft ou a lendária diva turca da ópera Semiha Berksoy (falecida em 2004).
Nos BaBa ZuLa, em estúdio e ao vivo, mantêm-se dois dos seus fundadores Levent Akman (colheres, percussões, máquinas e brinquedos musicais), Murat Ertel (saz eléctrico e outros instrumentos de cordas, voz, osciladores e theremin), para além de Ümit Adakale (darbuka e outras percussões) e Periklis Tsoukalas (oud eléctrico e voz). E proporcionam aos seus fãs, aqueles que já os conhecem e aqueles que não conhecendo passarão a sê-lo imediatamente a seguir a ouvirem-se as primeiras notas de uma (qualquer) música sua, um espectáculo que é muitas vezes apresentado como uma festa audiovisual tentadora ou um ritual em que a “arte disciplinada” e a “improvisação definida” se misturam livremente com a dança do ventre, trajes elaborados, poesia, teatro e desenho ao vivo.
Sem nunca esquecer as suas raízes mais profundas (o nome de um dos seus discos, o já referido “Kökler“ significa exactamente “raízes”), os BaBa ZuLa reclamam para si, através do uso do saz – um cordofone turco que está na origem do grego bouzouki – e das colheres, a herança que receberam, através da Anatólia, de um passado longínquo e de tempos xamânicos e pré-islâmicos. Celebremos com eles!










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