DOBRO SOUND SYSTEM

Stage: Matriz Map
27 June, 02:30

(Intro entre o surreal e o verdadeiro, o que acaba por fazer sentido quando se fala de um colectivo como o Dobro Soundsystem) Se alguma vez uma banda mereceu a designação “grupo de world music”, essa banda respondeu pelo nome de 3 Mustaphas 3. Nascida em Inglaterra, em 1982, sob a liderança de Ben Mandelson (aka Hijaz Mustapha) e Colin Bass (aka Sabah Habas Mustapha), aos quais ao longo dos anos se foram juntando outros “Mustaphas” — nas suas biografias, obviamente falsas, os membros do grupo clamavam ser todos sobrinhos de um tal Patrel Mustapha, sendo alegadamente originários de Szegerely, uma localidade que ficaria algures - imagine-se onde!... - nos Balcãs. E a sua música tinha influências balcânicas, sim, mas também de tudo e mais alguma coisa que se possa imaginar: country, rock, cajun, klezmer, música japonesa, turca, indiana e mexicana, muitas vezes com vários destes ingredientes — e muitos outros — na mesma canção. O resultado era quase sempre divertimento em estado puro e, muitas vezes, muito boa música. Apesar de ainda existirem oficialmente, os 3Mustaphas 3 estão desactivados desde há muitos anos.)
A história de amor entre o Festival Med e a música balcânica nascida nas suas comunidades ciganas já resultou em vários casamentos entre diversos projectos e os respectivos públicos: Shantel (duas vezes; uma como DJ e outra com a sua Bucovina Club Orkestar), Goran Bregovic, Fanfare Ciocarlia (só eles ou em duelo de titãs com a Boban & Marko Markovic Orkestar na “Balkan Brass Battle” a que assistimos em 2011), Dubioza Kolektiv e Taraf de Haidouks, entre outros, deram aqui concertos absolutamente memoráveis. E o apelo dessa música junto do público português tem sido tão grande que muitos ‘tugas começaram a tocar música dos ciganos dos países do Leste da Europa (os da ex-Jugoslávia, da Roménia, da Bulgária, da Hungria e até da Ucrânia – vejam-se os Gogol Bordello!): Gapura, Farra Fanfarra, Pás de Problème, Fanfarra Káustica, Marko i Blacky e, claro, os pioneiros e inimitáveis Kumpania Algazarra. E é exactamente da Kumpania Algazarra que são oriundos os quatro componentes do Dobro Soudsystem, um colectivo em que a muitos discos de música balcânica – podem ser aqui ouvidos temas dos nomes já referidos e ainda de Emir Kusturica, Kocani Orkestar, Mahala Rai Banda, Balkan Beat Box (que não são dos Balcãs mas de Israel e Estados Unidos) e tantos outros, para além da música da própria Kumpania, com a companhia de instrumentos verdadeiros (trombone, saxofone e percussões) por cima e a ajudar à, pois, algazarra propriamente dita.
Deles se diz que “já fazem furor por onde passam com os sets recheados de folia balcânica, a recordar os melhores casamentos ciganos do mundo, daqueles que duram três dias e que no final ninguém se lembra do que aconteceu. Não vão faltar homens obscuros, facas entre dentes de ouro, mulheres de folhos coloridos em profusão, cartomantes, acrobatas, muita música e muita rakia!”. Note-se que rakia é o nome - comum a Grécia, Turquia, Albânia, Bulgária e alguns países da ex-Jugoslávia - dado a uma aguardente feita à base de fruta; isto é, o nosso medronho feito com outros frutos. Mas já que estamos a falar de sabores -e de sons - intensos e tradicionais, também lhes podemos responder com um forte “Zivio Ziveli!” (“à nossa saúde!”, em sérvio).










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