ELISA RODRIGUES

Stage: Castelo Map
29 June, 21:00

Maria João, Paula Oliveira, Marta Hugon, Maria Anadon, Jacinta, a luso-cabo-verdiana Carmen Souza, Luísa Sobral, Sofia Vitória, Beatriz Nunes, Mónica Ferraz, Vânia Fernandes, Sofia Hoffmann, Joana Espadinha, Beatriz Pessoa, até Cristina Branco (principalmente no álbum “Abril”) e, claro, Elisa Rodrigues... São cada vez mais - estas e algumas outras de que não nos lembramos agora - as cantoras portuguesas a interpretar jazz ou a visitá-lo assiduamente com garra. Mas, pelos vistos, este esforço de entrada de tantas mulheres num mundo largamente dominado pelos homens ainda não é suficiente para, com uma única embora mais que justa presença, entrarem na lista dos 75 Discos Essenciais do Jazz Made in Portugal, de uma revista nacional. A única excepção é Maria João (com dois álbuns), sendo as outras únicas mulheres referidas (nenhuma delas cantora) são a pianista Joana Sá e a trompetista Susana Santos Silva.
Apesar de muita gente ter considerado o seu mais recente álbum, “As Blue As Red” (editado em 2018), como uma “revelação”, a verdade é que Elisa Rodrigues – apesar de ser ainda uma jovem – já não é nenhuma novata nestas andanças. Em 2011 saiu o seu primeiro álbum, “Heart Mouth Dialogues”, produzido por ela e por Júlio Resende, que também toca piano no disco, sendo os outros músicos Bruno Pedroso (bateria), (contrabaixo) e Joel Silva (bateria). Nele prestava homenagem a alguns dos clássicos maiores do jazz (e até do rock e da música brasileira). Mas, dois anos depois, ela surge integrada numa das bandas mais amadas do pós-rock experimental inglês, os These New Puritans (grupo formado pelos gémeos Jack e George Barnett em 2006 e fortemente influencida pelo pós-punk e pelo art rock), na qual se mantém e com a qual gravou os álbuns “Field Of Reeds” (2013), “Expanded - Live At The Barbican (ao vivo, 2014) e “Inside The Rose”, editado já neste ano de 2019.
E, pelo meio, ainda pôs a sua voz pessoalíssima ao serviço da música de The Legendary Tigerman (Paulo Furtado) no álbum “True” (2015), do DJ e produtor Nery (João Nery) no álbum “33” (2017) e de Pedro Abrunhosa no álbum “Espiritual” (2018). Participou em muitos festivais portugueses em nome próprio – incluindo o nosso Med – e, integrada nos These New Puritans, actuou em palcos de enorme prestígio como o já referido The Barbican, em Londres, ou no Hollywood Bowl, em Los Angeles).
O ano passado viria a editar “As Blue as Red”, que tinha algumas características completamente diferentes – daí, se calhar, usar-se o termo “revelação” – do primeiro. Neste disco, quase todo ele povoado de canções originais e produzido por Luísa Sobral, Elisa Rodrigues se descobre também autora e assina seis canções (três delas em parceria com Luísa Sobral), havendo ainda autorias repartidas por Pedro da Silva Martins (Deolinda) e Joana Espadinha, sendo a única versão a de “If You Could Read My Mind”, do cantautor folk canadiano Gordon Lightfoot. E nele tocam António Quintino (contrabaixo), Carlos Miguel (bateria), Luísa Sobral (guitarra num dos temas), Mário Delgado (guitarras) e Luís Figueiredo (piano e órgão Hammond).
Elisa Rodrigues nasceu em Lisboa e vive em Cascais. Em criança fez parte do coro Pequenos Cantores do Estoril e habituou-se com ele a pisar grandes palcos desde muito cedo. Tem como grandes referências do jazz vocal no feminino – dir-se-ia, quase obrigatoriamente - as grandes, enormes!, Ella Fitzgerald e Billie Holliday. Mas também gosta de uma grande variedade de outros artistas como Ravi Shankar, Chico Buarque, Fiona Apple, Amália Rodrigues, Da Weasel ou Jorge Palma. E é também por isto que já (nos) fazia falta o seu regresso ao nosso festival.










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