LUÍS GALRITO

Stage: Castelo Map
27 June, 21:00

A importância tutelar dos grandes cantautores nacionais do pré e pós-25 de Abril de 1974 continua ainda hoje a inspirar uma significativa parte da criação musical portuguesa assinada por músicos, compositores, poetas, cantores e/ou MCs das mais variadas áreas musicais. Gente da música eléctrica, dos Sitiados aos Diabo na Cruz – que fazem um dos seus concertos de despedida neste nosso festival -, dos Anaquim aos Virgem Suta, da musica de pendor mais acústico, dos Gaiteiros de Lisboa aos Marafona, d’A Presença das Formigas aos Quadrilha, do projecto Os Cantautores (nascido na sempre efervescente fonte da d’Orfeu, em Águeda) aos Pensão Flor ou aos Deolinda, de novos cantautores como Luiz Caracol, B Fachada, Rogério Charraz, Luís Pucarinho e cantautoras como Né Ladeiras, Amélia Muge, Cristina Bacelar ou Celina da Piedade… passando – e muito! – pelo hip-hop (de Chullage a Capicua e cem outros mais), tantos – e muitos muitos mais que ficaram por nomear – reclamam a influência dessa fonte original que, também ela bebendo mais ou menos na música tradicional de criação anónima, que era protagonizada por José Afonso, Fausto Bordalo Dias, José Mário Branco e Sérgio Godinho, mas também por Vitorino e Janita Salomé, Luís Cília, Manuel Freire, Francisco Fanhais, Pedro Barroso ou José Barata Moura (antes dos fungagás da bicharada).
Também ele letrista e compositor das canções que canta, o alentejano Luís Galrito junta a estas (grandes!) influências – já protagonizou concertos temáticos dedicados à música de Adriano Correia de Oliveira e Zeca Afonso (e deste falaremos um pouco mais detalhadamente no último parágrafo), o seu gosto pelo rock clássico, psicadélico e progressivo, a alguns dos grandes nomes deste género em Portugal (de Jorge Palma a Rui Veloso e Xutos & Pontapés), à country, à folk e à antiga arte do cante da sua região natal. Iniciando-se nas lides discográficas em 1996, Luís Galrito editou nesse ano “Véu Vermelho”, ainda muito marcado por uma sonoridade próxima da dos Pink Floyd ou dos Genesis mas já com uma portugalidade evidente. Já em 2002, a sonoridade do novo disco, “Matura Inculta”, tornar-se-ia “mais orgânica e crua, revelando referências marcantes da música portuguesa” (Jorge Palma, Sérgio Godinho, UHF e Xutos & Pontapés). Uma nova releitura de temas desses dois álbuns seria reunida, em 2004, num disco apenas com fins promocionais que teve a colaboração e produção de Kalu, baterista dos Xutos & Pontapés. E em 2005 inicia um ciclo de espectáculos, ainda hoje não terminado, em que homenageia os grandes cantautores portugueses.
Em 2010 foi editado “Quero Ser Humano”, produzido pelo bem conhecido Luís Jardim (músico , em estúdio ou em concertos, de gente do calibre de David Bowie, Rolling Stones, Paul McCartney, The Rolling Stones, Tina Turner, George Michael, Rod Stewart, Diana Ross, Mariah Carey, Celine Dion, Elton John, Seal, Al Jarreau, Michael Jackson). Já em 2015 edita o seu álbum de tributo a José Afonso, “Seja bem-vindo quem vier por bem”, e inicia o projecto "Grafonola Voadora", um dueto artístico com João Espada (performance-concerto interdisciplinar) com convidados especiais em palco como Napoleão Mira ou João Frade. "Menino do Sonho Pintado" (2018) é o seu mais recente ábum de originais, onde teve como convidados Dino D'Santiago, João Afonso, o rapper Reflect e Napoleão Mira. Um (novo) disco em que se espelham “as incontornáveis influências dos cantautores portugueses, das raízes folk do Alentejo e de outras sonoridades de matriz tradicional (ou não) de diversas zonas do país e do mundo”.
E, no palco do Festival Med, podemos assistir a um concerto especialíssimo de Luís Galrito, em que tem como convidado (também ele muito especial) outro nome que, com toda a justiça, também deveria figurar na lista anterior (aquela dos que foram buscar aos mestres mais velhos os ensinamentos primordiais), João Afonso, sobrinho de José Afonso mas que soube ao longo de muitos anos de carreira a solo honrar sempre a memória do tio mas também construir de forma sólida e contínua uma brava carreira em nome próprio. Não por acaso, comungando desta paixão comum entre os dois, Luís Galrito e João Afonso tiveram recentemente um projecto comum em que relembraram as canções de Zeca: "O Sul de José Afonso", que, num formato audiovisual, revisita as vivências e geografias pessoais, afetivas e musicais do maior dos nossos cantautores no Alentejo e no Algarve, acompanhados pelo coletivo "O Barco do Diabo" (Rogério Pires, Paulo Machado, Sónia Pereira e João Espada).









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