Mellow Mood

Stage: Matriz Map
27 June, 00:30

Descendente directo do mento, que por sua vez é muitas vezes considerado uma derivação do calipso, o jamaicano reggae – e os seus parentes ska, rocksteady, dub… - é uma das raras expressões musicais “locais” de fora do eixo anglo-saxónico que se espalhou pelo mundo inteiro. Tanto assim é que – como por aqui se referiu igualmente o ano passado a propósito dos franceses Dub Inc – há reggae a ser criado em todo o mundo desde que a semente foi plantada por Bob Marley, Peter Tosh, Jimmy Cliff – que deu no nosso festival um concerto absolutamente histórico e memorável em 2008 -, Burning Spear, Desmond Dekke ou as bandas Steel Pulse e Black Uhuru (para já não falar dos Wailers, que Bob Marley e Peter Tosh chegaram a partilhar) em finais dos anos 60 e inícios dos 70. Os portugueses Terrakota, Freddy Locks, Philarmonic Weed, Prince Wadada, Richie Campbell ou Bezegol, os luso-angolanos Kussondulola e Mercado Negro, os brasileiros O Rappa, Cidade Negra ou Ponto de Equilíbrio, os ingleses UB40, os norte-americanos Groundation ou o alemão Gentleman – para já não falar de Alpha Blondy e Tiken Jah Fakoly (ambos da Costa do Marfim), Majek Fashek (Nigéria) ou do já desaparecido Lucky Dube (África do Sul) – são excelentes exemplos do (igualmente excelente) reggae que se faz fora da Jamaica.
E, de Itália, aportam agora ao Festival Med os Mellow Mood, que, ao lado de Alborosie, são a expressão maior do reggae – no seu caso arraçado por vezes com o dub, o rocksteady e o afrobeat – transalpino. Com o seu nome a ser retirado de uma canção de Bob Marley – e já (não, não é piada!) bem conhecidos dos fãs de reggae portugueses, quer através da sua vinda a festivais do género quer pelas suas colaborações com Richie Campbell, os Mellow Mood nasceram em Pordenone, no nordeste de Itália, no ano de 2005. Fundada pelos irmãos gémeos Jacopo Garzia e Lorenzo Garzia, ambos cantores e guitarristas – que ainda se mantêm na banda ao lado de Antonio Cicci (bateria), Giulio Frausin (baixo e voz) e Filippo Buresta (teclados) – e desde o início que têm no produtor Paolo Baldini – mestre do dub e ex-baixista dos Africa Unite - o seu mais fiel aliado. E, não por acaso colaboraram em discos de dois projectos a que este seu conterrâneo pertenceu: “Sensi”, dos Africa Unite, em 2010, e “Nel Giardino dei Fantasmi”, dos Tre Allegri Ragazzi Morti”, em 2012.
Em 2009 é editado o seu primeiro álbum, “Move”, cujos dois singles os puseram nas bocas do mundo: “Only You” e “Dance Inna Babylon” já atingiram os 50 milhões de visualizações no Youtube. Seguir-se-iam depois “Well Well Well” (2012), “Twinz” (2014; este com colaborações especiais de Richie Campbell, Sr. Wilson, Forelock e KG Man) e um álbum-gémeo deste, “2 The World”, em que eram artistas jamaicanos os convidados: Tanya Stephens, Jah9, Hempress Sativa e The Gideon & Selah (dos Jah Ova Evil). Em 2015, os Mellow Mood produzem, ainda e sempre com Paolo Baldini, um documentário sobre o reggae underground de Kingston (sim, existe!), “DubFiles at Song Embassy, Papine, Kingston 6”, e participam no disco editado nesse ano pelos já referidos Dub Inc, “So What”. E, o ano passado, foi editado o seu novo álbum de originais, “Large”.
Com uma mensagem positiva, interventiva e de respeito pelos mais velhos e pelas pátrias originais do reggae e do rastafarianismo (a Jamaica, mas ainda antes, África), os Mellow Mood vão – de certeza absoluta – inundar o recinto do Med com boas, e dançantes, vibrações.









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