Orkesta Mendoza

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29 June, 23:30

Num popular meme da Internet surgem três elementos: um orgulhoso veado, uma estrada alcatroada e uma frondosa floresta. E, à pergunta que a acompanha – “O que vê nesta imagem?” – tendemos a responder: “Um veado a atravessar a estrada”. Errado! A resposta certa é: “Uma estrada a atravessar a floresta”. Noutro, ainda mais famoso, surge Donald Trump a afirmar “Os imigrantes ilegais trazem drogas, crimes e violações”. Em baixo, quatro índios (ou nativos americanos, se se preferir) comentam: “Sim; nós sabemos”. Ainda um terceiro e este ainda mais direccionado para onde vamos dirigir-nos já já a seguir, Tucson (Arizona): A imagem de cima mostra alguém com uma pá a remover neve e tem como legenda “O uso do sal em 99 por cento do território norte-americano”; e a de baixo alguém com uma bela margarita na mão e a legenda “O uso do sal no Arizona”.
Cidade do sul dos Estados Unidos, mesmo acima da linha que separa este país do México, Tucson pertence ao Estado do Arizona, encravado entre a Califórnia e o Novo México e com o Texas a espreitar depois deste. Localidade com uma história feita de conquistas, invasões, tratados, migrações… Tucson já foi dos aztecas e seus descendentes – os papagos e pimas -, dos espanhóis, dos mexicanos e dos ianques, sendo agora uma mistura destes todos e de mais alguns povos. E, com um Deserto do tamanho do mundo ali mesmo à porta, acolhe no seu seio inúmeros projectos musicais que reflectem essa enorme diversidade de origens étnicas, culturais, linguísticas, formais, estilísticas e, tantas vezes, a soma disso tudo…
Do louco do blues-punk Bob Log III ao visionário das electrónicas Camilo Lara (Mexican Institute of Sound), de um dos mais importantes grupos de alt-folk, indie-country ou neo-americana Giant Sand (e, logo, também Howe Gelb – olá Dead Combo!), dos fundamentais Friends of Dean Martinez aos Calexico (eles, que tanto amam o nosso fado!), dos latinos Crisantes aos pioneiros do country-punk Green on Red (que, de Tucson, partiram para a fama definitiva em Los Angeles), de Linda Ronstadt (pois, claro!) a Los Hijos de la Montaña, dos Xixa (cumbia peruana devidamente psicadelizada) aos industriais de culto Machines of Loving Grace, dos experimentais Mostly Bears à… Orkesta Mendoza.
E, finalmente, chegámos ao prato principal cujo percurso vamos resumir antes de se contar uma história paralela (e que tem um português como protagonista)! Liderada pelo ianque de origem mexicana Sergio Mendoza (que também fez e por vezes ainda faz parte dos Calexico e dos Mexrissey, sim aquela banda que faz versões de Morrissey em ritmos mexicanos), a Orkesta Mendoza, formada em 2009, é também um grupo de Tucson, Arizona, que mistura mambo, mariachi, ranchera, cumbia, chicha (etc, etc, etc…) com rock psicadélico, garage, punk, jazz, electro (etc, etc, etc…) e pratica uma sonoridade única, altamente festiva e dançante na sua maioria das vezes e não tem medo absolutamente nenhum de por vezes parecer (só parecer!) algo foleiro, nomeadamente quando teve como voz principal o carismático cantor Salvador Duran, convidado principal do álbum “Vamos a Guarachar!”, o penúltimo disco da banda, editado em 2016, depois da estreia com “Mambo Mexicano” (2012; originalmente assinado pr Sergio Mendoza y La Orkesta) e de “La Rienda” (2014). Agora é tempo de apresentar o mais recente “La Caminadora”, pela mão do líder de sempre Sergio Mendoza (voz, piano e guitarra), Jaime Peters (bateria, percussões, sequenciadores… e guitarra portuguesa), Marco Rosano (saxofone, clarinete, acordeão, teclados e trombone, Sean Rogers (contrabaixo) e Raúl Marques (trompete, guitarras e voz).
O mesmo Raúl Marques, português de gema, que em tempos idos fez parte da primeira formação dos Bandemónio, de Pedro Abrunhosa, e que chegou a editar um álbum a solo sob a designação colectiva Raúl Marques & Os Amigos da Salsa. O mesmo Raúl Marques que, depois, escolheu Espanha como base para o seu trabalho de criação na música e por lá criou os projectos Olivenza (ao lado da cantora espanhola Cira Fernandéz) e Depedro, em que experimentou pela primeira vez uma aproximação às sonoridades de Arizona, ao lado dos Calexico. O mesmo Raúl Marques que, em espectáculos a solo na primeira parte da Orkesta Mendoza, tem andado a cantar temas de José Afonso e Fausto em teatros norte-americanos. E que, desde 2012, acompanha a banda, primeiro só nos concertos na Europa, mas desde há muito tempo também por todo o mundo, sendo seu membro oficial.
Ao Med de Loulé não vêm John Convertino e Joey Burns (ambos dos Calexico), Camilo Lara (Mexican Institute of Sound) ou Gabriel Sullivan (Giant Sand, Xixa), alguns dos parceiros habituais nas aventuras mendozianas mas ainda vêm, para completar a banda na estrada, Brian Lopez (guitarra e voz) e Quetzal Guerrero (violino e voz). E, ao mesmo tempo, aproveitam todos para mostrar como uma banda que começou como um tributo a Pérez Prado, o Rei do Mambo, evoluiu para um autêntico rolo compressor musical que não toca só… Canções de Amor.









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