ANA MOURA

Palco: Matriz Map
29 Junho, 22:15

ANA MOURA (PORTUGAL)
Depois de uma carreira de absoluto sucesso e vários discos ("Guarda-me A Vida Na Mão", "Aconteceu", "Para Além da Saudade" e "Leva-me aos Fados") dedicados de corpo e alma ao fado mais tradicional, Ana Moura - não renegando de maneira nenhuma as suas raízes antes as reforçando porque a tradição (tal como escrevia Gustav Mahler) é “a transmissão do fogo e não a veneração das cinzas” – encetou em “Desfado” (2012) e continuou em “Moura” (2015) uma “pequena revolução” (palavras do jornalista Gonçalo Frota) que lhe está a valer ainda mais sucesso e glória internacionais. E são esses novos caminhos para o fado (e para a música) que Ana Moura vem mostrar neste seu regresso ao Med de Loulé, depois de em 2008 ter assinado um concerto arrebatador no nosso festival.
Depois de na infância se ter apaixonado pela música de Rui Veloso e pelas letras de Carlos Tê e de na adolescência ter cantado no grupo rock Sexto Sentido, Ana Moura mergulhou no fado, tendo como (excelente) escola o Sr. Vinho – da fadista Maria da Fé e do poeta José Luís Gordo -, onde aprendeu os mistérios deste género nascido em Lisboa na primeira metade do Séc. XIX. E foi daí que ela saltou para a ribalta portuguesa e internacional, muito devido ao apoio de um dos maiores nomes da música nacional, Jorge Fernando (produtor, compositor, letrista, fadista…), que lhe compôs, entre outros, o enorme sucesso “Os Búzios”. Foi com este tema – e muitos outros – que conquistou o coração de toda a gente, incluindo gente (bis) do calibre de Prince ou The Rolling Stones.
Mas, nos últimos anos, algo de substancial e profundo aconteceu a Ana Moura. Em 2012, Ana Moura tomou o seu próprio destino nas mãos, disse adeus aos seus músicos e lançou-se na grande aventura de criar para si própria um outro fado. Apelou ao sentido estético e aberto do produtor Larry Klein (Joni Mitchell, Herbie Hancock, Madeleine Peyroux, Melody Gardot, Tracy Chapman…); desafiou pessoas extra-fado como Manel Cruz, Márcia, Pedro da Silva Martins (Deolinda), Miguel Araújo, Luísa Sobral, António Zambujo e Pedro Abrunhosa para lhe escreverem canções. E assim nasceu - des(viante), (des)afiador, (des)complexado - o seu “Desfado”.
Um (des)fado que teria a sua continuação, natural, no ainda mais arrojado “Moura” (2015), gravado nos Henson Recording Studios, em Los Angeles, e de novo com Larry Klein nos comandos. Cantando pela primeira vez uma letra de Carlos Tê – que, como já foi referido, é um dos seus ídolos de infância -, retomando parcerias que já tinha encetado em “Desfado” – Márcia, Pedro Abrunhosa, Miguel Araújo – e encetando ainda outras de universos musicais paralelos como Jorge Cruz (Diabo na Cruz), Samuel Úria ou Edu Mundo e avançando para uma redescoberta das suas raízes africanas – a mãe é angolana, o pai é português mas com longa vivência em África – através de canções com músicas e letras da luso-cabo-verdiana Sara Tavares e dos angolanos Kalaf (Buraka Som Sistema), Jose Eduardo Agualusa e Toty Sa’Med. Uma ponte que, na colectânea “Amália : As Vozes do Fado”, se torna ainda mais evidente no delicioso dueto que Ana Moura protagoniza ao lado de Bonga, o garrido electro-fado “Valentim”. Aberta ao mundo, embora ainda com o fado bem “fechado” dentro de si, é esta renovada Ana Moura que vamos receber na noite de abertura do Med.









Organização

Parceiros Media


Parceiros