BNEGÃO

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30 Junho, 01:15

BNEGÃO (Brasil)

Só os espectadores mais desatentos é que terão perguntado, quando assistiram ao espectáculo de encerramento do Campeonato do Mundo de Futebol de 2014, no mítico estado do Maracanã, Rio de Janeiro: quem é aquele “negão” que – entre super-estrelas como Shakira, Santana ou Wyclef Jean – está ali a cantar o “Reclaim the Game” com a banda inglesa Pop Will Eat Itself? Porque o “negão” é, na realidade, Bernardo Santos mas publicamente e artisticamente é conhecido como… BNegão, MC, poeta de intervenção, inventor de sonoridades que têm aberto novíssimos caminhos para o rap, a cultura hip-hop e a música brasileira, quer através do seu projecto mais pessoal, BNEgão & Os Seletores De Frequência, quer ao lado de Marcelo D2 – outro dos pioneiros do rap brasileiro – nos seminais Planet Hemp, a mesma banda que em tempos que já lá vão teve Seu Jorge como percussionista.
Nascido em 1972, no Rio de Janeiro, BNEgão desde cedo começou a apaixonar-se por sonoridades muito diferentes – do rap ao rock, das electrónicas ao reggae, de géneros musicais específicos do seu país e de muitos outros e desvairados estilos de diversas partes do globo. Se, ainda antes de contarmos um pouco da sua história, referirmos que o seu caminho – enquanto colaborador, produtor ou co-criador - se tem cruzado, ao longo das últimas décadas, com os metaleiros seus conterrâneos Sepultura, o co-inventor do afrobeat e baterista Tony Allen, os electro-tropicais colombianos Bomba Estéreo, o grupo catalão Macaco (e alter-ego do seu líder, Daniel 'Mono Loco' Carbonell), os Ithaka (aquele projecto do norte-americano Darin Pappas que começou em meados dos anos 90 em Lisboa), o rapper californiano Del Tha Funkee Homosapien, a cantora paulista Tulipa Ruiz, o grupo ska-punk argentino-colombiano, mas radicado em Barcelona, Che Sudaka, a banda rock brasileira Skank ou as electrónicas globais e reinventadas de Maga Bo… Tudo isto já dá para ter uma ideia do espírito, aberto e livre de BNegão (por vezes escrito B.Negão, Bnegão ou B.Black) e do seu universo musical.
Na adolescência e início da idade adulta, BNEgão partilhou esta abertura de horizontes musicais em grupos muito diferentes entre si como os Perfeição Nenhuma Small Band e Engenharia de Som Ltda (punk e electrónica), Juliete (música brasileira com funk, rock e ragga), Funk Fuckers (funk e hardcore) e Missed in Action (rock, punk, heavy-metal e funk). E estava BNEgão nesta banda de Niterói quando Skunk – um dos vocalistas e fundadores, ao lado de Marcelo D2, dos Planet Hemp – deixou de comparecer em ensaios e concertos, sendo por BNEgão substituído. Uma troca que se tornou irreversível quando Skunk morreu e BNegão assumiu a ribalta ao lado de Marcelo por alturas do álbum “Usuário”, álbum de estreia desta banda de rap-rock carioca, em 1994. E, apesar de algumas idas e vindas externas – nomeadamente para desenvolver o seu projecto BNegão & Os Seletores de Frequência, com quem se vai apresentar no Med de Loulé – ele ainda hoje faz parte desta banda que, ao longo dos últimos mais de vinte anos nos deixou – e para além desse álbum de estreia, os discos de estúdio “Os Cães Ladram mas a Caravana Não Pára” (1997) e “A Invasão do Sagaz Homem Fumaça” (2000), para além dos álbuns ao vivo “MTV ao Vivo: Planet Hemp” (2001) e, bem mais recentemente, “O Ritmo e a Raiva” (2014).
Em 2001, nascem BNegão & Seletores de Frequência, onde o cantor, MC e agitador BNegão mistura muitas das suas inúmeras referências musicais – embora em relação a este seu projecto haja uma preponderância de rap, hardcore, reggae, dub e funk – e encontra um espaço ainda maior para a sua posia de intervenção e acção directa. Com os Seletores, BNegão lançou até agora os álbuns “Enxugando Gelo” (2003), “Sintoniza Lá” (2012) e o recente “TransmutAção” (2015). É este homem da linha da frente da renovação – e em várias áreas – da música brasileira que iremos receber, com imensa honra, no Med de Loulé de 2017.









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