DUB INC

Palco: Matriz Map
30 Junho, 00:30

Desde que a música começou a globalizar-se de uma forma mais física (ou etérea) e efectiva – primeiro, e a começar no final do Séc. XIX, com os fonogramas e já no Séc. XX com a rádio, o cinema, a televisão ou a internet – que muitos géneros musicais locais conseguiram saltar fronteiras e, de alguma forma, combater a hegemonia permanente de uma indústria musical que teve sempre como centro o eixo anglo-saxónico dos Esatdos Unidos e de Inglaterra. Muito antes de se falar em world music, e em épocas diferentes, géneros como o tango e o samba, o fado e a bossa nova, o flamenco e a rebetika, as ragas indianas ou a música balcânica, para já não referir várias formas de música africana, espalharam-se pelo mundo e criaram nichos de fãs e até de músicos “estrangeiros” que a elas se dedicaram ou dedicam. Mas só um se espalhou pelo mundo de uma forma convincente, permanente e continuada: o reggae, género nascido na Jamaica nos anos 60 e que, por arrasto de um fenómeno mundial chamado Bob Marley, criou seguidores em todo o mundo.
Não é por isso de estranhar que o reggae possa ser encontrado em todo o lado e com inúmeros criadores locais. Em Portugal tivemos ou temos Kussondulola e Mercado Negro – eles que cultivaram tão bem a ligação do reggae a ritmos angolanos -, Terrakota, Freddy Locks, Philarmonic Weed, Prince Wadada ou Bezegol, entre muitos outros. Do Brasil vêm O Rappa, Cidade Negra ou Ponto de Equilíbrio. UB40 (Inglaterra), Groudation (Estados Unidos) ou Gentleman (Alemanha) são fenómenos mundiais. E em África – o berço original - Alpha Blondy e Tiken Jah Fakoly (ambos da Costa do Marfim), Majek Fashek (Nigéria) ou o já falecido Lucky Dube (África do Sul) sempre reclamaram o seu continente como o berço original do reggae.
E, de França, chegam-nos os Dub Inc (inicialmente conhecidos como Dub Incorporation), banda de reggae que se tornou a mais importante do seu país e levanta bem alto, desde 1997, a bandeira do reggae e de outros géneros irmãos como o dub, o ska, rocksteady, sem esquecer a influência do hip-hop e de alguns géneros musicais do Magrebe –principalmente o rai argelino - ou da África Negra sub-saariana, de onde alguns dos seus elementos (como os vocalistas Hakim "Bouchkour" Meridja e Aurélien "Komlan" Zohou) são originários. Colaborando ao longo da sua carreira com diversos nomes grandes do reggae e não só (Tiken Jah Fakoly, David Hinds – dos Steel Pulse -, Tarrus Riley, Bomboro Kosso, Omar Perry ou Mellow Mood...), os Dub Inc iniciaram o seu percurso na cidade de Saint-Étienne, zona de elevada incidência industrial e migratória, sendo este um dos motivos para a diversidade étnica e cultural de uma banda que canta em francês e inglês mas também em cabila, língua do povo com a mesma designação que habita nas montanhas do nordeste da Argélia.
Com seis álbuns editados até ao momento – “Diversité” (2003), “Dans le décor” (2005) e “Afrikya (2008), sob a designação Dub Incorporation, e “Hors controle” (2010), “Paradise” (2013) e "So What" (2016), já com o nome de Dub Inc – o grupo francês tem ainda um documentário em DVD que traça a sua história, “Rude Boy Story”, lançado em 2013. E com centenas de concertos em todo o mundo – ou, pelo menos, em muitos países de todos os seus continentes -, os Dub Inc preparam-se para trazer a Loulé a sua música mestiça, aberta, livre e positiva. Jah cá faziam falta.









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