FANFARE CIOCARLIA

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01 Julho, 01:15

FANFARE CIOCARLIA (Roménia)

Quem já assistiu a um concerto da Fanfare Ciocarlia – ou, como aconteceu no Med de Loulé em 2011, à fulgurante “Balkan Brass Battle” entre a Boban and Marko Markovic e a própria Fanfare Ciocarlia - sabe perfeitamente ao que é que vai. A um concerto electrizante, sem dúvida, mas também ao que se vai passar a seguir ao concerto: encores longuíssimos em halls de teatros, na rua, no check-in de aeroportos. Originária da aldeia de Zece Prajini, na Roménia, a Fanfare Ciocarlia é possivelmente a mais bem conhecida banda de metais cigana da actualidade. Nascida em 1996, de uma ideia do produtor alemão Henry Ernst, que convenceu alguns dos músicos locais a formar um grupo para digressões internacionais, a Fanfare Ciocarlia nunca deixou, ao longo destas últimas duas décadas, de desmentir este início, digamos, «artificial».
Porque a sua música transporta sempre uma verdade e um espírito primordiais, mesmo quando fazem versões do tema do genérico clássico dos filmes de James Bond, do «Born To Be Wild» (Steppenwolf), de “Caravan” (Duke Ellington) ou, mais recentemente e no novo álbum “Onwards To Mars!”, de “I Put a Spell on You” (Screamin’ Jay Hawkins). E é exactamente este novo álbum que vêm apresentar desta vez ao Med de Loulé. Disco em que, novidade, contam com vários originais escritos para a banda por Koby Israelite, o genial acordeonista e compositor israelita que faz parte das fileiras da editora de jazz de vanguarda nova-iorquina Tzadik Records, de John Zorn, mas também grava para a respeitada Asphalt Tango, o selo da Fanfare Ciocarlia e de muitos outros grupos e artistas de música balcânica.
Mesmo quando viajam por reportórios e cancioneiros muito diferentes daqueles que tocavam na sua aldeia em casamentos, baptizados e funerais, a Fanfare Ciocarlia assume-se sempre como profundamente cigana (“roma”) e depressa se estabeleceu como uma das mais emblemáticas – senão a mais emblemática – bandas de metais ciganas. Incorporando na sua música a tradição romena, mas também a de outros povos à volta – Bulgária, Macedónia, Turquia, Itália, Sérvia, Grécia… — e até música exterior que lhes chegou via rádio ou televisão, do jazz ao rock às bandas-sonoras de Hollywood e da indiana Bollywood ou até jingles publicitários (oiça-sea sua hilariante versão de “Gummy Bear”!). E, ao longo destes anos todos, habituou-nos a discos – e ainda mais a concertos – que são uma festa pegada, um chavascal dançante, pulante e uma gorda pândega de excelente música cigana… e sem fronteiras.
No seu novo disco, para além dos originais de Koby Israelite, de alguns tradicionais ciganos e da versão mais ou menos inesperada de “I Put a Spell on You” (deliciosamente cantada por Iulian Canaf, cantor romeno de blues, soul e outros géneros negros americanos), são recuperados dois dos seus clássicos ao vivo - “Mista Lobaloba” (baseado em “Boombastic”, de Shaggy) e “Crayfish Hora” - e há ainda lugar para uma fantástica colaboração com a banda colombiana Puerto Candelaria, “Fiesta de Negritos”. A Fanfare Ciocarlia voltou, em 2017, numa forma admirável e nós vamos poder assistir, na primeira fila e ao vivo, a este fantástico regresso da agora charanga de astronautas vadios aos comandos de um foguetão. Direcção: Marte!









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