GAITEIROS DE LISBOA

Palco: Castelo Map
28 Junho, 23:00

A história dos Gaiteiros de Lisboa é feita de muitos músicos que os antecedem e que vieram a formar o corpus filosófico, estético e formal do grupo, mas também de muitos outros que vieram depois e que por sua vez os próprios Gaiteiros de Lisboa, e de várias formas, contribuíram decisivamente para formar. Já muitas vezes se escreveu que a banda de Carlos Guerreiro e Paulo Marinho – só para referir os dois que fundaram o grupo e nele se mantêm – é, desde há 27 anos (a data oficial de formação é 1991), o mais importante grupo de renovação e reinvenção da música tradicional portuguesa. E essa frase não tem refutação possível.
Pegando no legado das recolhas sonoras de música rural feitas por Michel Giacometti, Fernando Lopes-Graça ou Armando Leça, de alguns grupos de que os músicos dos Gaiteiros tinham feito parte como o GAC – Vozes na Luta ou o Almanaque, na influência decisiva da música de autores nacionais como José Afonso, José Mário Branco ou Fausto, nos ensinamentos de como a folk deve ser encarada como uma força viva e mutante colhida junto de nomes como os irlandeses The Chieftains e Planxty ou dos franceses Malicorne, os Gaiteiros de Lisboa lançaram-se na aventura de criar uma música nova, acrescentando a estes universos reconhecíveis o seu próprio toque de loucura, invenção sem limites e desrespeito absoluto pelas regras. Uma fórmula que não é fórmula nenhuma e que nos tem dado inúmeros exemplos de como a música pode ser feita de uma beleza imensa ou de um desvario interminável. Um desvario – muitas vezes ajudado pelos instrumentos inventados por eles - em que podem entrar a rebeldia do punk, a liberdade do jazz ou a música erudita de Arvo Part, Alban Berg ou Arnold Schoenberg.
Há pouco falava-se aqui do que pode estar por trás dos Gaiteiros e do que tinha vindo a seguir, o que também é bem conhecido: os incontáveis grupos e artistas que, na sua senda, se lançaram igualmente em releituras ousadas da tradição. Mas também se pode facilmente andar oito anos para trás, 1983, quando Paulo Marinho introduziu a gaita-de-foles no rock feito em Portugal: uma canção chamada “Glória”, grupo lisboeta que viria ter um enorme sucesso directo (concertos e digressões intermináveis, discos que venderam muitas dezenas de milhares de exemplares), mas também de forma indirecta e absolutamente decisiva para que a tradição quase perdida da gaita-de-foles fosse recuperada de norte a sul de Portugal. De repente, e tal como tinha acontecido com o cavaquinho via Júlio Pereira, a gaita-de-foles que Paulo Marinho tocava nos discos e nos concertos que se seguiram dos Sétima Legião passou a ser um instrumento apetecível, sendo o próprio Marinho solicitado como mestre de muitos outros músicos de todo o país que com ele viriam a aprender a arte da gaita-de-foles.
E, tendo começado como um laboratório experimental com os alunos de Paulo Marinho em 1991, os Gaiteiros de Lisboa viriam a tomar a forma pelo qual têm sido conhecidos com a entrada de outros músicos profissionais em 1993: Carlos Guerreiro, Rui Vaz, José Manuel David e, pouco depois, José Mário Branco. A formação que viria a gravar o seminal álbum “Invasões Bárbaras”, em 1995. Nestes contados parágrafos não há espaço para esmiuçar a riquíssima carreira dos Gaiteiros de Lisboa, mas deixemos pelo menos aqui a referência aos fabulosos álbuns por eles editados – uma discografia que, para além de “Invasões Bárbaras” conta com “Bocas do Inferno” (1997), “Dança-Chamas” (2000), “Macaréu” (2002), “Sátiro” (2006), “Avis Rara” (2012) e a recente colectânea “A História” (2017) – e que, neste concerto a que vamos assistir no Med de Loulé, vamos ter a honra de ter em palco uma novíssima e renovada formação dos Gaiteiros de Lisboa.
Uma formação que é um autêntico super-grupo da nova música tradicional portuguesa, com os “velhos” Gaiteiros a serem acompanhados por muitos músicos que por eles foram decisivamente influenciados e que agora fazem parte da banda. Uma banda que agora é formada pelos fundadores Carlos Guerreiro (voz, gaitas-de-foles, sanfona, percussões e outros instrumentos) e Paulo Marinho (gaitas-de-foles, flautas e voz) e por Sebastião Antunes (voz e percussões), dos Quadrilha, Miguel Quitério (gaitas-de-foles, uillean pipes, flautas e voz), dos Torga e Trabucos, Carlos Borges Ferreira (voz e percussões), ex-Ebora Musica e grupos de cante alentejano, para além de Paulo Charneca (percussões e voz), de regresso aos Gaiteiros depois de ter passado pelo famoso grupo internacional de percussões Mayumana. Um luxo completo.









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