GATO PRETO

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29 Junho, 01:30

Géneros que surgiram nos subúrbios de enormes cidades do chamado “terceiro mundo”, o kuduro (gerado nos musseques de Luanda), o baile funk (nascido nos bairros de lata do Rio de Janeiro e também por isso chamado funk carioca ou favela funk) ou o kwaito (germinado nas townships de Joanesburgo) – assim como inúmeras das suas variantes posteriores - carregam em si, e apesar das suas diferenças, uma mesma marca identitária: são a criação de comunidades migrantes, pobres, marginalizadas… E, muitas vezes, são o reflexo da sua revolta, do seu orgulho, do seu erotismo, das suas crenças e aspirações mais profundas (políticas, religiosas, sociais…). Enformadas por músicas de raiz que lhe estão próximas geograficamente – não é por acaso que Bonga refere a rebita como um parente distante do kuduro ou se ouvem ecos das polifonias vocais sul-africanas no kwaito – mas também por géneros que importados, nomeadamente o rap (e mais especificamente ainda o Miami Bass), o electro ou o tecno, os três géneros referidos no início são a expressão futurística de uma música que é ao mesmo tempo local e global, na sua essência mas também através da sua disseminação pelo mundo.
E se no Med de Loulé já tivemos o prazer de ouvir e dançar ao som de Batida, Octa Push, Branko e Throes + The Shine – quatro dos melhores exemplos de como o kuduro se transformou num fenómeno aberto e transversal a vários povos e culturas -, desta vez chega-nos o som dos Gato Preto, que têm esse género nascido em Angola como referência maior mas também reclamam como suas as influências do funk carioca e dos “township grooves” descendentes do kwaito sul-africano. Formados pela rapper, performer e letrista Gata Misteriosa – ela que cresceu nos arredores de Lisboa e tem ascendência moçambicana – e pelo produtor (beats e sintetizadores) ganês, há muito residente na Alemanha, Lee Bass – ele que também orgulhosamente congrega para a sua música a profunda tradição do highlife do Gana -, os Gato Preto nasceram em Dusseldorf, na Alemanha, em 2012 e começaram de imediato a marcar um território musical que é só deles.
Na sua música – que muitas vezes conta com o seu companheiro mais fiel, o senegalês Moussa Diallo no djembé, mas também com convidados como o rocker brasileiro Edu K, o panamiano apaixonado por dancehall MC Zulu ou a cantora inglesa de ascendência caribenha e alemã Meli Wharton – encontramos kuduro, baile funk e kwaito sim, a memória do highlife também, mas igualmente… punk e metal, rap e trap, afrobeat e afrohouse, para além de o duo fazer questão de homenagear explicitamente duas lendas maiores a quem a música actual tanto deve e que tantas vezes são esquecidas: George Clinton (o mentor dos Funkadelic e dos Parliament) e Lee “Scratch” Perry, o principal inventor do dub jamaicano.
E, depois de vários singles e EPs como “Tschukudu”, “Dinheiro Negro”, “Soundgals”, “Pirao”, “Barulho”, “Soundgals”, “Dia-D”, “Take a Stand” ou “Feitiço”, e de um álbum completo, “Tempo”, editado o ano passado, é agora a altura certa para ficarmos a conhecer a música futurista e pan-africana dos Gato Preto.









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