MÁRCIA

Palco: Castelo Map
28 Junho, 23:00

No momento imediatamente anterior ao início em que estas palavras começaram a ser escritas, o vídeo do dueto de Márcia com JP Simões, “A Pele que Há em Mim” tinha já mais de cinco milhões de visualizações – mais exactamente 5.051.361. Já os dos vários duetos dela – “Menina”, Emudeci” e “Eu Seguro” - com Samuel Úria; a arrepiante canção de (des)amor “Desumanização”, que reúne Valter Hugo Mãe, Dead Combo, Márcia e Camané; “Pega em Mim”, com Salvador Sobral; “Às Vezes o Amor” e “Delicado”, ambos com Sérgio Godinho; “Tornados”, com Jorge Cruz; “Deixa Ser” ou até a versão de “This is Not America”, de David Bowie, que ela também partilha com David Fonseca… não chegam à barbaridade desse número mas mostram igualmente uma enorme evidência. A de que a voz de Márcia, sozinha, acompanhada por homens (e cantores) ou num grupo em que homens e mulheres juntam as vozes como o Real Combo Lisbonense é um milagre extremamente raro na música portuguesa.
E, pode perguntar-se, ela precisa de ser aqui apresentada logo ao lado de vários gajos quando a obra dela – de enorme cantora, autora e intérprete – vale por si própria? Não, não precisa disso para nada… mas é a prova mais que evidente de três coisas: como a sua voz se casa tão bem com algumas das, por sua vez, melhores vozes (masculinas) que nós temos; de como ela gosta de casar a sua voz com a deles (seja em discos dela ou dos outros); e de como nós, amantes e fãs de música, da sua música e de todos os outros que também aqui referimos, somos uns sortudos por tê-la. E, continuando a ter a história dos duetos como ponto-de-vista inicial, podemos dizer que na pequena escala da música portuguesa – que raros duetos históricos Homem-Mulher tem (há António Calvário com Madalena Iglésias, Rui Reininho com Isabel Silvestre e, nos últimos tempos e ainda bem, imensas fadistas com malta da electrónica e do hip-hop) - qualquer canção que é tocada pela voz de Márcia, e seja com que homem fôr, nos parece tantas vezes que é a nossa única hipótese de nos aproximarmos de algo semelhante a ouvir… Ella Fitzgerald com Louis Armstrong, Jane Birkin com Serge Gainsbourg, João Gilberto com Astrud Gilberto (antes dela fugir para o lado norte da América atrás do saxofone de Stan Getz), Freddie Mercury com Montserrat Caballé, Neneh Cherry com Youssou N’Dour, PJ Harvey com Nick Cave, Alison Krauss com Robert Plant, Loretta Lynn com Jack White ou Lady Gaga com Bradley Cooper.
Nascida em Lisboa, em 1982, Márcia (de seu nome completo) Ana Márcia de Carvalho Santos, é uma cantautora no completo e verdadeiro sentido da palavra: escreve as músicas e os poemas que ela interpreta - e que por vezes dá a outros para interpretar (Ana Moura, Sérgio Godinho, António Zambujo…). Estudou pintura, estagiou em cinema, fez o curso de canto no Hot Clube de Portugal. E, num trabalho muitas vezes solitário, começou a compor canções ao mesmo tempo que cantava – já há alguns que lá não canta – no Real Combo Lisbonense, onde se cruzou com pelo menos dois homens importantes na sua vida – o marido Filipe Monteiro (que lhe produziu o álbum “Casulo”, em 2012, e que mais recentemente editou um igualmente maravilhoso álbum a solo, sob o pseudónimo de Tomara) e João Paulo Feliciano, o ex-Tina and The Top Ten e No Noise Reduction que fundou e dirige a editora independente Pataca Discos e que lhe produziu, ao lado de Walter benjamin (agora Benjamim) o álbum de estreia, “Dá”.
Em 2009 estreou-se com o EP “A Pele que Há em Mim”, o mesmo tema que, reinterpretado em conjunto com JP Simões, serviu de base ao vídeo de que falamos no início (Nota: neste momento já tem 5.051.549 visualizações). Uma versão a dois, editada em 2011, que levou a canção a ser nomeada para os Globos de Ouro do ano seguinte. Mas, pelo meio, surge o primeiro álbum de Márcia, o já referido “Dá”, em 2010. Três anos depois surge “Casulo” (também já mencionado) e em 2015, demonstrando que “besta ela não é”, “Quarto Crescente”, é produzido pelo enorme músico brasileiro Dadi Carvalho (ex-Os Novos Baianos” - e sim, vamos explicar a piada que ficou aqui atrás pendurada, os criadores de “Besta É Tu” -, e A Cor do Som; produtor de Caetano Veloso, Marisa Monte ou Os Tribalistas. E, neste álbum está outro dueto (que não foi referido no primeiro parágrafo porque a não encaixava na sua narrativa ‘tuga), desta vez com o MC brasileiro Criolo, no tema “Linha de Ferro”.
Já o ano passado, surgiu o seu mais recente álbum, “Vai e Vem”, com uma sonoridade diferente na carreira de Márcia, que depois de muitos de resistência se deixou encantar pelas guitarras eléctricas e delas fez uso para compor e se acompanhar. Produzido por ela e por Filipe Monteiro, “Vai e Vem” inclui duetos com Salvador Sobral, António Zambujo e Samuel Úria, para além de “Agora”, a canção com que participou no Festival RTP da Canção. Em concerto, as (grandes) canções de Márcia e da sua banda (Filipe Monteiro, Manuel Dórdio, Rui Freire e David Santos) são também alvo de uma (re)criação visual em palco.










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