METÁ METÁ

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28 Junho, 21:30

Há alguns meses, a revista inglesa Songlines – publicação que é considerada como a mais importante na divulgação das músicas do mundo em todo o… mundo – publicava um artigo assinado por Enrique Blanc, “Divas Brasil”, em que se dá relevo a quatro maravilhosas cantoras brasileiras que só foram descobertas de uma forma mais alargada e global já bem, como se diz por cá, bem entradas na idade: Elza Soares, Ná Ozzetti, Dona Onete – de quem tivemos a felicidade de assistir a um fabuloso concerto aqui no Med de Loulé em 2016 – e Juçara Marçal, a voz e a cara dos inclassificáveis inventores (ou reinventores) musicais paulistanos Metá Metá, que agora nos orgulhamos em apresentar. E se a presença nos nossos palcos de grandes criadores do Brasil de alguma forma “redescobertos na terceira idade” já não é novidade – para além de Dona Onete, relembremos aqui o histórico concerto de Tom Zé em 2005 -, no caso dos Metá Metá e da sua carismática vocalista Juçara Marçal vai ainda dar mais que falar pela sonoridade única e absolutamente inovadora deste grupo criado em São Paulo em 2008 e que, para além de Juçara, integra ainda os músicos e compositores Kiko Dinucci (guitarra) e Thiago França (saxofone).
Alma por detrás da voz e das palavras dos Metá Metá, Juçara Marçal – um desses referidos descobrimentos tardios ou regressos imprevistos de cantoras que, embora tenham feito carreira, se mantiveram muitos anos na sombra até que, de repente, uma série de discos as colocou sob a luz da ribalta – nascida em 1962 no Rio de Janeiro e, além de professora de canto e de português, gravou e fez parte de grupos como Vésper Vocal e A Barca antes de integrar os Metá Metá. E, a solo, lançou recentemente “Encarnado”, para além de ter colaborado em projectos com Rodrigo Campos e Cadu Tenório.
E, ao lado de Juçara, nos Metá Metá estão o saxofonista Thiago França (nascido em Belo Horizonte, 1980), em que a escola do (free) jazz está bem presente, e o guitarrista Kiko Dinucci (natural de São Paulo, 1977) que fez parte de bandas punk/hardcore e, numa nota biográfica que tem de tudo menos coincidência, colabora igualmente com as já referidas Ná Ozzetti e Elza Soares. E foi um álbum de parceria entre Juçara e Kiko, “Padê”, editado em 2007, a semente inicial dos Metá Metá, grupo que começaria a existir de facto, em São Paulo, logo um ano depois e que editou até agora os álbuns “Metá Metá” (2011), “MetaL MetaL” (2012), “MM3” (2016) e “Gira (banda-sonora de um espectáculo do Grupo Corpo; (2017).
Nos Metá Metá encontramos muitas vezes canções em que a intervenção e o protesto político, naturais num país que vive em permanenente ebulição, se juntam a outras grandes causas: a luta contra o racismo, o rebaixamento das mulheres ou a segregação da comunidade LGBT. E, a unir isso tudo, uma música - nova e excitante - em que aos exteriores jazz e punk anteriormente mencionados se juntam muitos géneros locais –marchinha, lundu, jongo, batuque, rumba, bolero, embolada… -, alguns estilos importados do Magrebe e da África Ocidental (Tony Allen, o co-inventor do afrobeat já gravou com eles) e uma filosofia global que vai buscar inspiração à cultura ioruba (a religião africana que deu origem ao candomblé e ao umbanda). Na língua ioruba Metá Metá significa, aliás, “três ao mesmo tempo”, símbolo da união triangular de Juçara, Kiko e Thiago, aos quais se juntam em palco e em estúdio o baixista Marcelo Cabral e o baterista Sérgio Machado.









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