SARA TAVARES

Palco: Cerca Map
29 Junho, 21:30

Durante muitos anos - a bem dizer, cerca de três décadas (as de 70, 80 e 90 do Séc. XX) - as maiores embaixadoras da música cabo-verdiana foram Cesária Évora – e esta com uma dimensão internacional muitíssimo superior a todas as outras –, Titina, Celina Pereira, Ana Firmino, Maria Alice, Herminia ou Teté Alhinho (nos Simentera ou a solo), entre algumas outras. Todas elas com uma obra discográfica extraordinária, principalmente se pensarmos que todas elas são de um país pobre, africano, periférico e insular. E se pensarmos, igualmente, que o fenómeno e o alargamento do circuito da chamada world music só aconteceu dez ou vinte anos depois de terem começado a sua carreira. Talvez por isso, só Cesária Évora apanhou esse apetecido comboio da world music e tornou-se, por direito e talento próprios, uma das grandes divas desse circuito, alargando o caminho para quem veio a seguir.
Já neste século, e abertas que estão desde há muito as portas do mundo à música cabo-verdiana, muitas novas cantoras têm emergido, e também com inteira justiça, nesse mundo imenso das "músicas do mundo": Sara Tavares – a protagonista deste texto, agora de regresso ao Med de Loulé depois de aqui ter brilhado num concerto em 2007 -, mas também Nancy Vieira, Lura, Carmen Souza, Fantcha, ou, mais recentemente, Mayra Andrade, Elida Almeida, Ceuzany, Kady, Jenifer Solidade, Neuza, Sara Alhinho ou Cremilda Medina, que têm em comum com as da geração anterior o mesmo amor pela música de raiz cabo-verdiana mas, em todas elas, outros amores com vista para outras músicas.
E um dos melhores exemplos de como, ao mesmo tempo, se pode sentir um imenso amor pela música de raiz do seu país de origem – apesar de ter nascido em Lisboa, é descendente de cabo-verdianos – e por diversíssimos outros géneros musicais é exactamente Sara Tavares. Com quarenta anos completados a 1 de Fevereiro, a cantora revelou-se ainda na adolescência num concurso televisivo de talentos, que viria a vencer, e imediatamente a seguir ficou em primeiro lugar o Festival RTP da Canção 1994. Editou o seu primeiro disco, “Sara Tavares e Shout!”, em 1996, onde o gospel era protagonista. Mas uma busca interior por um caminho musical próprio rapidamente o revelou. O segundo álbum, “Mi Ma Bô” (1999) foi produzido por Lokua Kanza e, através de uma sonoridade afro-soul que continha já elementos cabo-verdianos, apontava aquilo que viria a ser o seu futuro: pegar em géneros musicais de Cabo Verde (fossem eles a morna, a coladeira, o batuque, o funaná e muitos outros) e misturá-los, sempre de uma maneira pessoalíssima e absolutamente honesta, com outros estilos que estiveram na génese do seu amor pela música ou que, ao longo dos anos, foi adquirindo: gospel, blues, r&b, soul, funk, reggae, MPB… Cantora, guitarrista, compositora e letrista, Sara Tavares entrou decisivamente no circuito internacional da world music em 2005, com o álbum “Balancê”, que teve como single de enorme sucesso o tema “Bom Feeling”. O disco seguinte, "Xinti", teria edição em 2009. E, ao longo dos anos, Sara Tavares – fruto do seu eclectismo e da sua abertura a tantas músicas – cruzou a sua voz com a de inúmeros outros artistas e grupos (Vozes da Rádio, Ala dos Namorados, Júlio Pereira, Uxía, Dany Silva, Paulo Flores, Tiago Bettencourt, Buraka Som Sistema, Nelly Furtado, Luiz Caracol, António Chainho, Carlão ou Richie Campbell).
E, depois de uma longa ausência no que concerne a álbuns de originais, Sara Tavares regressou o ano passado com “Fitxadu”, um disco em que compõe a música e/ou escreve as letras de quase todos os temas mas que também se abre – pela primeira vez – a outros co-autores por ela convidados e naturais de vários lugares do mundo. Nesse lote – em que alguns também protagonizam duetos com ela - estão Toty Sa'Med, Paulo Flores, Kalaf Epalanga, Bilan, Princezito, Nancy Vieira, Manecas Costa, Conductor, Boddhi Satva, Loony Johnson, João Pires e Edu Mundo) que com ela ajudaram a criar uma música ainda mais aberta e universal, agora por vezes tingida pelas cores vivas das electrónicas mas sempre cheia de verdade, alma e uma força criadora interminável.









Organização

Parceiros Media


Parceiros