VURRO

Palco: Castelo Map
28 Junho, 21:00

VURRO
(Espanha)

No meio musical português corre há muito a anedota dos cartazes, pendurados à porta de tascas de terceira categoria ou colectividades que têm como principal actividade o campeonato mensal de sueca, que anunciam concertos do Quarteto dos Três Irmãos Pedro e Paulo (mas... um deles está doente). E então, no momento da verdade e no palco, lá aparece um cantor sozinho mais a sua guitarrinha. Mas, se a razão deste texto é um concerto de um one-man-band espanhol, então podemos adaptar a história e imaginar que neste caso, o nosso Vurro aparece sozinho mas muito bem acompanhado por teclados retro-vintage, carrilhão, bateria, chocalhos e alguns outros instrumentos e uma pedaleira em que dispara loops do que tocou anteriormente.
A História dos one-men-band é antiga. Mas, para resumir, podem-se aqui referir os griots mandinga que desde há séculos transmitem a história oral da África Ocidental, armados com uma kora e chocalhos presos nas canelas, os tamborileiros europeus (e tantos que houve e ainda há em Portugal) que tocam flauta com uma mão e um pequeno tambor (o tamboril) com a outra… ou, muito mais recentemente, a corrente folk norte-americana em que – por exemplo - Bob Dylan cantava, tocava guitarra e tinha uma harmónica pendurada ao pescoço para nela tocar de vez em quando. Em todo o mundo existem “homens-orquestra” e inúmeros festivais (inclusive por cá) a ele dedicados. E, de entre os nossos praticantes, há logo um nome que salta à vista, o de The Legendary Tiger Man, ao qual se juntaram depois alguns outros (Nick Nicotine, Casuar, Little Orange…).
E, do nosso país vizinho, directamente vindo da Serra de Guadarrama, Ávila, chega-nos o enigmático Vurro, com o seu rock’n’roll, rockabilly, boogie-woogie, swing e blues – para além dos seus temas originais também costuma tocar uma versão de Robert Johnson - viscerais, selvagens e mal-comportados, parecendo muitas vezes que é o filho perdido de Alan Vega e Martin Rev, os Suicide. Fenómeno viral na internet desde que o vídeo de “Boogie” apareceu no youtube durante o Verão de 2016, Vurro viria à sua conta (e dos outros que se seguiram) a fazer uma extensa digressão mundial durante o ano passado. Mas não se pense que Vurro é apenas uma atracção passageira induzida pelos novos media. Não. Cantor, músico e compositor de ilimitados recursos, inventivo, muitas vezes virtuoso e experimental, Vurro está agora prestes a editar o seu primeiro álbum. Um álbum que, adivinha-se, vai levar ainda mais longe o nome deste homem que, conta a lenda, perdeu a sua vaca durante uma tempestade de neve e… depois de a encontrar morta, o espírito da vaca falou com ele, convencendo-o a usar o seu crânio como capacete para assim se fundir num único, e ruidoso, novo ser (e, acrescenta, como agora são os cornos dela a bater nos pratos-de- choque, já não se fere na cabeça quando os toca!).









Organização

Parceiros Media


Parceiros